
Foto: Nas Ruas do Recife por ÍcaroNSilva (artigo por MaxwellFonseca)
Enquanto o Recife corre… – Protegendo-se do Sol do meio dia, Dona Neide vê passar o dia na esperança de encontrar transeuntes de bom coração, que ajudem e garantam o pão de sua casa. Como se sabe, o clima tropical de dias quentes de Recife não dá sopa. Na Ponte Duarte Coelho o calor é intenso, só a brisa do mar e a sombra abrandam o pesar. Para Neide essa ponte é ’seu ponto’. E também será ponto de partida desta estória metropolitana.
O cotidiano do Recife anda a sempre a cem por hora! Carros, pedestres, motos e bicicletas passando, e as calçadas como trilhas de formigas, e seus incontáveis seres freneticamente levados de lá pra cá. Gente estressada que mal vêem Dona Neide e sua sacola. O dia segue entre buzinas estridentes ao sinal verde, som de motores acelerando, ambulantes e seus tabuleiros móveis (evitando os fiscais da prefeitura), policiais e seus óculos escuros indo de uma esquina a outra, carros de som anunciando promoções… etc e etc. A cidade na velocidade da luz, e Neide na velocidade da sombra. Repousando com seu sotaque arrestado e de voz meio rouca: “Moço mi’ajude a interá o pão”…
Curioso, muita gente fala DE pessoas carentes. mas poucos efetivamente param pra falar COM eles. Suas histórias de vida são impressionantes. Essa é só mais uma entre tantas, mas apenas esta venceu o anonimato… “Eu vim de Condado”, diz Dona Neide - a ignorância da geografia interiorana ecoa: “Onde é isso?”, ela responde sem titubear – “Fica entre Itatinga, Nazaré da Mata e Aliança, mô’fio” e já emenda com a história do falecido marido dela. Ela conta que Biu veio pra Recife trabalhar na casa do filho do ex-prefeito, mas em ‘oitenta e dois’, depois da cheia, morreu de tuberculose e a deixou pra cuidar dos dois filhos. Hoje sozinha pensa em voltar pro interior, embalada entre incertezas, fala da falta de notícia da família e até dos crescidos filhos que foram-se pra São Paulo. Sem nada mais que lhe reste, senão sua sacola e poucas gramas de esperança, vive contando as moedas da boa-vontade os que passam… na correria do cotidiano.
Esse é apenas um conto metropolitano, mas a vida reserva centenas de personagens de carne e osso. Apesar desta estória aqui ser apenas ilustrativa. O cenário real merece uma reflexão intensa. Passamos insensíveis por dezenas de típicas Donas Neides na Veneza brasileira. Ouse conhecer tais histórias.
Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca

NOTA: Esta estória vinculada às foto acima é ficção. Qualquer coincidência de nomes e situações é mera coincidência. Os personagens da estórias são apenas ilustrativos.



Gente do Conexão Recife… Gostaria com esta postagem parabenizar a todos por esta iniciativa muito legal. Cara demais! Gostei pra caramba dos textos e principalmente das fotos. Conteúdo do olhar e da mente. Valeu mesmo e que Deus abençoe vocês (fotógrafos, redatores, pensadores e por aí vai).
Daniel Barros.