
Foto original por AmandaOliveira (estória – artigo Reino de Aninha por KarinaRocha)
Reino de Aninha – Aninha é princesa, seu reino se estende por todas as ruas e vielas do subúrbio onde mora. O dia é feito de poucas horas de escola e muitas de brincadeiras que ajudam a passar o dia que é tão cumprido até a chegada da mãe do serviço. Antes de deixar Aninha na escola e ir para o trabalho a mãe repete que Aninha não pode sair para longe, falar com quem não conhece, ou receber presente de estranhos. Pai ela sabe que tem, desconfia até quem é, já viu uma vez..assim de longe…e nunca mais.
A mãe trabalha em casa de família e sempre trás uma coisa boa pra ela quando chega em casa..as vezes um pão gostoso com guaraná, mas uma vez trouxe uma boneca que era da filha da patroa. A boneca recebeu o nome de Priscila e quase nunca sai do quarto (pra não sujar na rua), fica em cima da cama e todos os dias antes de dormir Aninha dedica-lhe alguns minutos de conversa e afagos.
Aninha gosta mesmo de correr, corre com os meninos atrás das pipas e também para achar um esconderijo ou fugir nas brincadeiras de “se esconder” e de “pega”. As vezes ela e as amigas arrumam resto de esmalte de unha e brincam de salão de beleza, pintam as unhas umas das outras e fazem trancinhas caprichadas que demoram semanas pra sair. Quer ser professora porque gosta muito da tia da escola. Queria mesmo era escrever um livro de estórias que ela inventa, como aquela sobre a menina que acordou “diminuída de tamanho” e a enchente levou embora.
Uma vez uma amiga da rua onde mora chamou-a para vender chiclete na porta do teatro. Voltou pra casa com um real, levou uma pisa de cinto e ficou uma semana de castigo sem sair na rua. Nunca mais vendeu chiclete. Domingo a mãe fica em casa o dia todo e elas vão juntas à feira e assistem televisão. A mãe diz que ela é sabida porque faz as tarefas da escola sem errar quase nada. Aninha gosta de ser sabida, gosta de correr, de brincar de salão de beleza, de conversar com Priscila e com a mãe antes de dormir.
Essa é só uma estória, Aninha poderia morar na avenida Boa Viagem, na Zona da Mata de Pernambuco ou num morro da cidade. Poderia ter pai e muitos irmãos. Independente do contexto familiar, do lugar de onde vem ou da situação social, criança é sempre criança e precisa ter a sua infância respeitada e protegida a todo custo. Caso contrário, os resultados são desastrosos para elas, suas famílias e para toda a sociedade.
Não deixe de fazer um bem a uma vítima desse crime, a qualquer sinal ou informação sobre abuso ligue para disque denúncia que atende pelo número “100”, pois é… um número tão simples assim, mas que pode fazer uma diferença enorme na HISTÓRIA de muita gente.
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Foto: AmandaOliveira
Artigo: KarinaRocha
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- NOTA – A estória de Aninha vinculada à foto acima é ficção. Qualquer coincidência de nomes e situações não é intencional. Os personagens e estória refletida nesta obra literária é apenas ilustrativa, e não está vinculada diretamente às pessoas nas fotos. Tendo por motivação alertar às pessoas sobre as questões sociais relacionadas à matéria em foco.
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cara, adorei
muiito bom mesmo;)
bjo!