Honrosa menção – 2

10 02 2009


Flying Lights por Felipe Fradex

Vale observar carinhosamente esta imagem de Filipe Fradex e parabenizar este ilustre colaborador do FLICKR´CR pela notável expressão artística!

Os observadores atentos perceberão que ”Flying Lights” tem por pano de fundo a realidade dos horizontes límpídos dos dias ensolarados de nossa terra - tão incrívelmente registrados por Fradex. Bem como, sua criatividade e edição, que trazem o lado utópico e alegórico, com inumeras reflexões possíveis.

Que esta imagem possa nos inspirar com novos ares, e novas idéias!

 
Imagens de Fradex também usadas nos artigos: Minha cura da depressão & O Céu da Torre.

Valeu, mano… continue a brilhar!





Tic-tac, boom!

21 11 2008


Foto e Artigo por MaxwellFonseca

Tic-tac, boom! – Pra falar do tempo, um certo tic-tac, ressoa em minha mente. Guardo a lembrança de relógio despertador e de corda que usei algum tempo em minha adolescência. Ele tinha a árdua missão de me acordar para os compromissos da manhã. O conheci nas férias, e por incrivel que pareça antes de me servir de fato e direito, ele tomou muito de meu tempo para se fazer meu amigo. Engraçado, seu tic-tac era tão sonoro que rompia o silêncio da noite – e a kilometros ia minha paz interior antes de dormir. A cada tic-tac, várias idéias atormentavam meus pensamentos… “E amanhã como será?”, “será dormindo a essa hora eu vou acordar direito?”, “eu já botei corda nesse relógio” (não vale rir… no tempo o despertador era mesmo de corda)… Resumindo, quanto mais eu ”pensava em dormir” menos tempo eu conseguia efetivamente descansar. Era um mix de insônia, ansiedade e meu exarcebado racionalismo que me faziam atormentado de mim mesmo. Assim foi o começo desta minha patética e pontual relação com o tempo.

Hoje eu percebo como a relação com o tempo faz diferença no bem estar de alguém. De fato, nossas emoções e até nossa sanidade depende da forma com que nos relacionamos com o tempo. Somos chamados de eficientes ou incompetentes por conta do tempo. Ágeis ou irresponsáveis. Profissionais competentes ou enrolados. Alunos fracassados, atrazados, e ausentes… Tudo pela cruel relação você e o tempo.

Sem dúvida tempo é um recurso igual para todos. Todos temos a cada novo dia 24 horas, “X” minutos, “Y” segundos… (leia-se x=1.440 e y=86.400). O que fazemos disso, cabe apenas a cada um de nós julgar… é nossa vida, nossa escolha, nossos desafios. Quando muito sobra aos outros e aos nossos queridos a oportunidade de opinar. Mas as decisões são sempre nossas – particulares – frutos do nosso fórum íntimo. E porque não dizer que nós mesmos nos beneficiamos de nossos acertos, e dividimos os prejuízos dos nossos erros, em tempo. Enfim, o tempo é assim: algumas vezes parece-nos um tesouro, outras vezes árduo inimigo… Quando é tesouro tememos que ele tempo passe. Quando queremos o futuro, é a ansiosidade que nos ataca. Quando é o passado que nos persegue, uma mórbida paralisia nos incapacita. Eis o tempo – lâmina de uma espada perigosa, que a todo tempo precisamos conviver com seus arriscados desafios.

Se bem pensássemos celebraríamos o agora que nos resta. E assim atinaríamos em resgatar o que há de melhor – do passado e do futuro. Lutaríamos em transformar o agora na dádiva maior que temos. Experimentaríamos a sabedoria e o equilíbrio das coisas. Felizmente temos tempo suficiente para sermos vivos e mudarmos a história. Começando de nossa própria história. O nosso tempo que nos resta… Que o Criador e Senhor do tempo nos ajude na missão de administrar bem meu tempo.

Artigo e foto:MaxwellFonseca
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Ídolos Humanos

25 09 2008


Foto e Texto por MaxwellFonseca (citação essencial de Fernando Pessoa – Livro do Desassossego)

Ídolos Humanos – Nesta estranha sociedade, de constante resgate de elementos primitivos e mitológicos, nossas raízes greco-romanas ainda permeiam a cultura e comportamento, com instintos primitivos, heróis tópicos e idéias religiosas desnorteadas. Será que pós-modernindade e a globalização reverberam os ecos dos filósofos e grandes impérios antigos? Talvez? Ouso dizer que sim!

Nesta escultura, carinhosamente denominada Eliza, resgato a oportunidade da reflexão sobre a visão humanista, mística, egocentrada e democrática da atualidade. E entre cultos, crença, programas de tv, estátuas no jardim e a plena razão - questiono o que sejam ídolos, para nós, hoje? E antes de prosseguir, proponho as palavras de Fernando Pessoa (que possivelmente dispensará meros devaneios):

“Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus precursores a haviam tido – sem saber porquê.
E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para substituto de Deus.
Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais. (…).
Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.”

À primeira vista, as palavras de Pessoa ressoam como filosofia existencialista dos ensaios de Platão e Descartes, mas a acentuação (ácida e religiosa) surpreende pelo questionamento essencial sobre o sentido da vida e o centro da adoração humana, evidenciando sobretudo a indignação do escritor quanto aos desacertos do comportamento e devoção das massas.

Agora deixo para você leitor a reflexão inicial –  e diante dos tantos ídolos (humanos) massificados, sejam políticos, artístas, alegorias, projeções ou sugestões… – permita-se repensar quem são seus ídolos! E pensando, seja crítico. Este exercício pode resultar em amadurecimento e emancipação. Pois diante do contraste cartesiano da existência do Bem maior, grande parte de nossas ideologias não passam de ilusão ídólatra e futilidades.

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Foto & Artigo:
MaxwellFonseca





Honrosa menção

8 09 2008

Vale parabenizar um dos colaboradores deste espaço de fotografia e literatura,
nossa querida DéboraCoutinho por este maravilhoso click, e teve sua foto selecionada
na Maratona Fotográfica da 2ª Semana de Fotografia do Recife – Setembro/2008

Parabéns, Debinha! Que Deus te encha de graça e sucesso sempre! =)





Seja você mesmo!

24 08 2008


Foto Fifo no Flickr por ÍcaroNSilva. (artigo por MaxwellFonseca)

Seja você mesmo! – A vida é mesmo um milagre que se renova a cada dia! Estamos girando no espaço neste incrível planeta repleto de paisagens maravilhosas –  sol, lua e estrelas, nuvens e mares… Este é o grande cenário de nossa existência. Uma infinidade de luz e cor a cada canto e mal percebemos nossa tendência à insatisfação com nossa própria imagem. Parece que mesmo sendo cercados por tudo que há de belo ainda nos achamos feios…

Mas será que somos assim tâo imperfeitos? Na maioria das vezes somos nós mesmos os críticos e carascos de nossa infelicidade. Mulheres personificam claramente esse conflito de imagem! Cuidam-se por horas e vestem-se de toda graça e quando perguntam aos seus companheiros como estão, espantam-se de ouvir: “Você está linda!”. Rapidamente passam diante de um espelho para se encontrar com sua crítica mortal e reiniciam o processo junto aos seus guarda-roupas e penteadeiras limitados por natureza. O universo masculino parece menos vunerável a esta auto-crítica, desde que você não fale de carreira e financas… A imagem e estima do homem, na maioria das vezes, tem muito mais a ver com seu status que com seu espelho.

Tudo não passa de uma paranóia de aceitação. Somos regidos pelo medo de não sermos aceitos pelos outros, medo de que o outro não nos ache tão bons. Regidos pelas massas, ou pela moda… Fadados à escravidão paranóica que conduz os maiores apelos ou exageros estéticos. Não nos aceitamos – este sim é o grande problema! Se o cabelo é curto, lamentamos não tê-lo cumprido. Se sou baixinho, lamento não ser alto. E uma bola de neve de insatisfação que acaba afetando nossa atitude, comportamento e até mesmo as nossas relações. Por mais incrível que isto possa parecer. Existem pessoas que nos amam mesmo sendo assim (entre aspas) “imperfeitos”! Não ignore isto (ou estes que te amam). Talvez você não venha a ser uma estrela Global, mas serás indispensável aos que te amam. Seja lindo (de dentro para fora). Melhore sempre (de dentro pra fora). Porque quando estamos no jogo de ilusão de imagem, restará sempre a sombra da amargura de frustração auto-crítica.

Evite o stress-estético da sociedade atual! Faça calar todas estas vozes do eu-crítico pessoal e social. Então você vai poder ouvir seu próprio coração pulsar dentro de si. Tum-tum… mais um milagre! A dádiva da vida que tantas vezes ignoramos! Experimente a alegria de simplesmente ser você (com ou sem maqueagem, com ou sem um trage de gala). Ame-se isso faz toda diferença! Seja você… Este é o melhor ponto de partida para ser algo melhor no futuro e vencer seus defeitos. Seja você mesmo! Não ignore o milagre de sua existência. Seja feliz! Pois seu sorriso pode fazer muitos outros sorrisos brilharem diante das dificuldades da vida. Ninguém pode fazer isto por você.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:MaxwellFonseca
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Superando o contexto

8 07 2008


Foto: Rindo a Toa por ÍcaroNSilva (Artigo: Superando o contexto por MaxwellFonseca)

Superando o contextoOs contrastes da vida nos perseguem! Uns dias felizes, tantos outros triste. Estou bem, estou mal. Esta é gangorra da nossa existência. Comumente precisamos superar o contexto, escrever nossa história, construir nosso bem estar material ou emocional, para assim estar com tudo “em cima”. Infelizmente, é comum que o mal humor estejam de tal modo arraigado a nós, que demanda esforço extremo para um simples riso. Por isto, pensei em falar de superação, diante do sorriso largo registrado nesse jovem no lixão da Muribeca, felicidade que muitas vezes nos falta.

Sendo muito racional e crítico, tenho certa dificuldade de rir em meio a problemas. Apenas em poucas situações consigo sorrir, como se diz: “do nada”. Já algumas pessoas riem facilmente (até da própria desgraça) e conseguem até fazer piada de tudo. Sem dúvida alguma, esta disposição mental é bem mais saudável que minhas agruras de crítico, chato ou até pessimista (como tantas vezes sou)… Observando claramente, a imagem não nos remete a um humor negro (de alguém que ri do próprio sofrimento). Pelo contrário, revela como encontrar felicidade num contexto difícil. Este é um grande milagre. O milagre de viver o agora com graça e leveza. Eu imagino: Como eu estaria se meu trabalho fosse catar lixo e ganhar o pão de cada dia? Ou seja: Como eu estaria se estivesse no mesmo contexto que este rapaz? A verdade é que as angústias da vida, independente do contexto podem ser superadas. E esta foto é mais uma evidência disto.

Óbvio que não existem pílulas mágicas para ser feliz instantaneamente, mas neste artigo podemos pensar sobre felicidade e superação. Afinal, a felicidade, assim como o amor, consegue alcançar a qualquer um de nós, nos momentos mais diversos. Para provocar ainda mais esta reflexão, pare agora e reflita na curiosa relação das emoções com o tempo. Perceba isto: Constantemente queremos tanto “ser feliz”. Mas não experienciamos a felicidade no agora. Não é verdade? Projetamos este momento pleno para o futuro (ex: quando eu me formar vou ser muito feliz), ou para o passado (ex: ai como eu era feliz naquele tempo). Desafio você que lê este artigo a  fazer o inverso desta projeção. Faça como uma criança que sabe um mês antes que vai ganhar uma bicicleta no Natal. Você sabe como ela fica, radiante e elétrica, feliz por atrair o momento oportuno no agora. Por que perdemos a chance de viver a felicidade presente? É no tempo presente que tudo acontece, e não no futuro ou passado. Reflita sobre isto.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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Minha cura da depressão

15 06 2008


Foto Horizonte por FilipeFradex (artigo por MaxwellFonseca).

Minha cura da depressão – Tem horas que nosso problema parece o maior problema do mundo… E pouco importa o que outras pessoas digam ou pensem. Quando o problema está dentro de nós (nas nossas emoções), pouco importa a opinião alheia, meu problema é “o maior problema do mundo”! Posso estar em meio a uma multidão ou sozinho no meu quarto, meus desacertos me acompanham. Por mais que tudo esteja aparentemente “normal” ou suportável, falta algo primordial! Sentido para minha existência. Aqui pouco importa quanto tenho de dinheiro, como minha familia é bem-sucedida. Quantos diplomas têm meus pais. Que curso eu estou fazendo… De que serve tudo isso, se por dentro está tudo desequilibrado? Quero algum motivo pra me apegar a este mundo caótico e nada me convence de que minha vida faz algum sentido.

Na minha cabeça fica uma frase: “Não conta pra ninguém que eu to assim tão mal!” (penso com meus botões). Se as pessoas descobrem que estou assim tão deprimido ou amargurado, e tendo tudo que preciso, vão me chamar de louco, ingrato, besta, problemático, etc. Prefiro me esconder do mundo. Este isolamento só completa a redoma da solidão. A partir daí tudo vai de mal a pior… Pois nem amigos nem familiares sabem do que estou sofrendo. Como poderiam me ajudar? – Quem sabe! Independente de  resultados, ou se vão de fato ajudar… sentir-me só pareceu muito pior. E deste isolamento pensamentos piores brotam…

“Eu vou acabar com esta minha vidinha sem graça”, pensava no meu quarto. Se antes eu só queria deitar e dormir (agora nem isso mais funcionava)… Dormir parecia antes bom remédio para não interagir com o mundo. Ver nas praças e ruas tantas pessoas sorrindo, e eu procurando qualquer contentamento… Mas agora nem o sono confortava minha alma. Pois já não mais dormia direito a semanas. As noites se arrastavam… E na manhã seguinte lá ia eu pro trabalho com minhas olheiras! Enfim, naquela noite eu já estava totalmente desgastado dessa rotina. E algo sem dúvida iria acontecer, pois meu limite já havia chegado. Em um último gesto de sanidade, decidi ligar para um amigo crente para saber se minha vida ainda tinha sentido para Deus. Você não imagina como naquela madrugada, três da manha, as palavras daquele amigo me surpreenderam. “Jesus te ama, amigo. Não há problema no mundo que o Criador do mundo não tenha a solução”. Eu me sentia um lixo, indigno, impuro, solitário, e a última coisa que eu esperava ouvir de uma pessoa no meio de uma madrugada é que havia de fato uma solução para meu problema.

Enfim, existem muitos tratamentos e terapias contra a depressão. O meu chamou-se AMOR. Alguém me fez ver que eu era importante (pra ele e para Deus). Ensinou-me a orar, e mostrou-me como Jesus passou por situações bem mais dolorosas do que as que eu estava passando. Logo, eu também poderia superar meus problemas e ainda levar amor às pesssoas ao meu redor. Se Jesus passou por todo sofrimento por amor, para dar uma nova vida às pessoas. Eu também poderia dedicar-me ao amor divino, superando meus problemas, e meus novos gestos de amor iriam refletir na felicidade de muitas pessoas (até de certos desconhecidos). E todos aqueles amigos e familiares que iriam sofrer se eu simplesmente desistisse da vida, mereciam cada gesto do meu amor.

Muitas outras coisas mudaram naquela noite, enquanto meu amigo me falava… Senti paz, e recobrei a esperança de ter propósito para viver. Um novo homem surgiu com a alvorada. Um homem curado dos desequilibrios emocionais. Recebi muito amor no meu coração, e já não havia mais meu fantasma da depressão. Apesar deste mundo tão caótico. Deixei de ser vítima, e tornei-me mais um dos que andam com propósito. E sigo amando até hoje… satisfeito com o que tenho (seja muito ou pouco) e sou. Relaciono-me com as pessoas de forma ética e cristã. Evito tudo aquilo que a biblia diz que não me convém. O resultado disto fez de mim um homem feliz. A vida ficou mais bela com o amor dentro de mim. Este amor foi meu remédio para este mal e tantos outros… Ele me fez ver que preciso dos outros, e que eles também contam comigo. Era tudo que eu precisava saber naquele momento para resolver o maior problema do mundo.

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Artigo: Maxwell Fonseca
Foto: Filipe Fradex
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  • NOTA: este artigo não está associado ao modelo na foto (que é o próprio fotógrafo: Filipe Fradex). Contudo o artigo – obra literaria contemporãnea –  se confunde com o testemunho pessoal de Maxwell Fonseca. Uma abordagem particular sobre o tema -Depressão – que para fins artísticos, e não se propõe a analisar esgotar a questão em foco, apenas motivar as pessoas a procurarem uma saída saudável para este mal




Os Invisíveis

10 06 2008


Foto original – modelo das ruas – por ÍcaroNSilva (artigo – Os Invisíveis – por MaxwellFonseca)

Os Invisíveis – No coração da cidade, na praça do Marco Zero, entre marquises de prédios históricos e armazéns portuários, encontra-se mais um desses recifenses sangue bom. Sangue de guerreiro. Qual o endereço dele, ou sua residência? Não tem! Ele mora nas ruas mesmo. Hoje nesta calçada, amanhã noutra. Agora deste lado da ponte, depois do outro. Ele é mais uma parte da paisagem esquecida da Veneza brasileira. Na verdade, ele é mais um daqueles invisíveis que ignoramos. Não só ele, mas dezenas de HUMANOS que alí vivem desta mesma forma. São quase invisíveis, até que a foto prove o contrário.

Cara de poucos amigos… escritório móvel de sua profissão brilhante. “É isso moço. Sou engraxate!” diria ele. Por incrível que pareça ele ainda revela uma excessão em meio aos meninos sem teto. Jovens como ele – crescem nas ruas sem procuram trabalho – muitos são só pedintes. Meninos praticam pequenos furtos e meninas se vendem pra sobreviver. Nascem e morrem aos montes e quem liga para eles. A sociedade parece preferir ignorar seu papel social de transformação destas castas à margem da cidadania. Só se lembram deles quando se tornam protagonistas em algum assalto que passamos. E aí, irados,  queremos que eles “morram”. São “monstros”, “criminosos”… “um bando de desocupados!”… E no lugar deles o que faríamos, ou como viveríamos? Ouso expecular que não seríamos tão diferentes deles. 

Quase chamei o artigo de “é dois real” forma muito comum que algum pernambucano invisível diria o preço estampado na sua caixinha de engraxate. A norma culta da lingua portuguesa, pede o plural: São! São dois. Dois reais… Mesmo assim chamaria o artigo de ”é… dois… real…”. Isso porque “é” duro de acreditar, que os “dois” alvos desta foto (ele e a caixa), reflitam a “real” condição de vida de muitos jovens desta cidade.

Isso me lembra as palavras do fotógrafo: “agente achou o brother aí que topou ter seus 30 min de modelo com agente… essa semana nós vamos na casa dele (na rua) entregar as que fizemos dele. Espero que ele fique feliz!”. Tenho certeza que sim! Esta foto é prova de que ele não é invisível (enquanto o mundo tenta provar o contrário). Mas existem pessoas capazes de fazer pequenos gestos de amor no nosso universo metropolitano, haverá sempre esperança de indivíduos nobres seram movidos pela mão divina. Com o amor de Deus, nos é revelado inúmeras formas de tirar pessoas da invisibilidade.  Um com uma foto, outro com palavras, outro com um sorriso. Cada um segundo seu talento e recurso disponível. Cada um de nós é um agente de transformação do ambiente que nos cerca… Se coração não se esfriar nossa graça diante realidade do próximo e nossos olhos não cegarem para os ditos “invisíveis”.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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Reino de Aninha

8 06 2008


Foto original por AmandaOliveira (estória – artigo Reino de Aninha por KarinaRocha)

Reino de Aninha – Aninha é princesa, seu reino se estende por todas as ruas e vielas do subúrbio onde mora. O dia é feito de poucas horas de escola e muitas de brincadeiras que ajudam a passar o dia que é tão cumprido até a chegada da mãe do serviço. Antes de deixar Aninha na escola e ir para o trabalho a mãe repete que Aninha não pode sair para longe, falar com quem não conhece, ou receber presente de estranhos. Pai ela sabe que tem, desconfia até quem é, já viu uma vez..assim de longe…e nunca mais.

A mãe trabalha em casa de família e sempre trás uma coisa boa pra ela quando chega em casa..as vezes um pão gostoso com guaraná, mas uma vez trouxe uma boneca que era da filha da patroa. A boneca recebeu o nome de Priscila e quase nunca sai do quarto (pra não sujar na rua), fica em cima da cama e todos os dias antes de dormir Aninha dedica-lhe alguns minutos de conversa e afagos.

Aninha gosta mesmo de correr, corre com os meninos atrás das pipas e também para achar um esconderijo ou fugir nas brincadeiras de “se esconder” e de “pega”. As vezes ela e as amigas arrumam resto de esmalte de unha e brincam de salão de beleza, pintam as unhas umas das outras e fazem trancinhas caprichadas que demoram semanas pra sair. Quer ser professora porque gosta muito da tia da escola. Queria mesmo era escrever um livro de estórias que ela inventa, como aquela sobre a menina que acordou “diminuída de tamanho” e a enchente levou embora.

Uma vez uma amiga da rua onde mora chamou-a para vender chiclete na porta do teatro. Voltou pra casa com um real, levou uma pisa de cinto e ficou uma semana de castigo sem sair na rua. Nunca mais vendeu chiclete. Domingo a mãe fica em casa o dia todo e elas vão juntas à feira e assistem televisão. A mãe diz que ela é sabida porque faz as tarefas da escola sem errar quase nada. Aninha gosta de ser sabida, gosta de correr, de brincar de salão de beleza, de conversar com Priscila e com a mãe antes de dormir.

Essa é só uma estória, Aninha poderia morar na avenida Boa Viagem, na Zona da Mata de Pernambuco ou num morro da cidade. Poderia ter pai e muitos irmãos. Independente do contexto familiar, do lugar de onde vem ou da situação social, criança é sempre criança e precisa ter a sua infância respeitada e protegida a todo custo. Caso contrário, os resultados são desastrosos para elas, suas famílias e para toda a sociedade.

Não deixe de fazer um bem a uma vítima desse crime, a qualquer sinal ou informação sobre abuso ligue para disque denúncia que atende pelo número “100”, pois é… um número tão simples assim, mas que pode fazer uma diferença enorme na HISTÓRIA de muita gente.


Foto: AmandaOliveira
Artigo: KarinaRocha

 

 


 

  •  NOTA – A estória de Aninha vinculada à foto acima é ficção. Qualquer coincidência de nomes e situações não é intencional. Os personagens e estória refletida nesta obra literária é apenas ilustrativa, e não está vinculada diretamente às pessoas nas fotos. Tendo por motivação alertar às pessoas sobre as questões sociais relacionadas à matéria em foco.

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Se virando do jeito que dá!

8 06 2008


Foto original Ganhando a Vida por ÍcaroNSilva (artigo: se virando do jeito que dá por MaxwellFonseca)

Se virando do jeito que dá – As vezes penso que aquele ditado tem sentido, “uma imagem fala mais que mil palavras”, outras vezes tenho plena certeza. E aqui vai mais uma prova disso. A criatividade do povo nordestino surpreende. A força de vontade impressiona. A dedicação comove e o contexto nos sufoca.

O que dizer de um universo onde quem não se vira morre de fome? Como ignorar que são batalhadores estes que chamamos de ‘miseráveis’. Na verdade, já conheci muitos universitários esbanjando ‘oportunidade na vida’, e depressivos. Jovens com rotinas vazias, vivendo de status, marcas da moda, boates de luxo, computadores portáteis mas convivendo com uma mente desfocada do propósito de sua existência. Fazem cursos porque alguém escolheu-lhes o futuro. Vestem-se pra agradar o clube. Compram carros para superar o do vizinho… Certos destes “afortunados” são mais miseráveis, feios, preconceituosos e arrogantes que qualquer sem-teto poderia ser. Grande paradoxo não? O que tem e o que não tem miséria, por dentro e por fora.

Se virando do jeito que dá é a forma que muita gente de fibra vive. Procurando apoio pra sair da lama. Superando limites de sua condição precária do contexto capitalista moderno. Fazendo milagre acontecer, pela fé e esperança de um futuro melhor. Como admiro este tipo de gente. São guerreiros que tentam sobreviver às limitações do sistema socio-econômico que escolhemos para reger nosso planeta (quase todo). Por isso que eu digo: “nem sempre o que dá certo tá certo, e vice-versa”. Enquanto agente esquece de outros aspectos comumente ignorados. Dar certo e estar certo não são sinônimos. Da mesma forma, muita coisa que não dá certo, estava em sua concepção corretíssimo. Mas a maioria ignorante decide ‘democraticamente’ o caminho que mais os apraz. Esquecendo dos que são esmagados por suas decisões. Vale dizer que não milito contra o sistema socio-economico. Só penso que poderiamos evoluir no cuidado de certos invisíveis que clamam por nosso socorro. Especialmente através da educação, e da profissionalização deles.

Nas palavras do amigo fotógrafo: “João é baterista, da Bahia. Nós o encontramos no Recife antigo fazendo seu som, com sua batera artesanal. Eu e Caio somos bateristas e podemos dizer que ele tem talento!”. Eu que bem sei como Ícaro é “chato” na sua crítica musical, tenho certeza que a afirmação procede… e eu torço: Sucesso João! Espero que você vá se virando nas viradas desta bateria virtual, até que chegue uma nova – de verdade. Fé em Deus e muita dignidade pra guardar-se íntegro diante das dificuldades que todos temos.
 

Ícone de exibição de ÍcaroNSilva 
Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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