O Céu da Torre

4 04 2008


Foto original por FilipeFradex (artigo “O Ceu da Torre”por Maxwell Fonseca )

O Céu da Torre. -  Entre o céu e a terra essa foto capturou os limites do reino dos homens (o mar de edifícios), e o lindo céu - obra do Criador.  Rios, pontes, edifícios, nuvens e árvores são partes dum só cenário urbano, cujo ponto de vista inicial (da câmera) agora se funde ou “confunde” com o seu… Então te pergunto: Você consegue ver os limites da obra divina e humana nesta foto? É assombrosamente claro!

Afinal, nós mesmos somos parte deste mistério… No ventre de nossa mãe, tecidos e órgãos se formam em plena perfeição. Quem inventou esse tal de DNA realmente sabia o que estava fazendo. Impôs um equilíbrio sistêmico e invisível. Nem mães nem pais, apesar da plena responsabilidade na concepção de uma vida, são capazes de interferir no desenvolvimento do organismo do filho, que miraculosamente se forma no ventre materno. Realmente essas coisas nos deixam reflexivos e, sobretudo gratos, por estarmos vivos.

Se olhamos para a obra dos homens, também nos assombramos, afinal, a algumas gerações atrás esse mar de edifícios nada mais era que mangues. Nós humanos na busca pelo “bem-estar”, povoamos a metrópole com tais condomínios, e neles garantimos nossa morada. Habitação Já! Cada um a seu modo, e na limitação dos seus recursos, buscando proteção. E os mais abastados vislumbram mais, com uma pitada de vaidade, desejam o ‘belo’ o ‘distinto’, a ‘perfeição’. Isso me lembra Descartes!

René Descartes, filósofo francês nascido em 1596, dizia: “Ou a idéia de perfeição foi criada por mim, ou a recebi do mundo exterior, ou me chegou de outro caminho qualquer. Mas a idéia de perfeição não pode ter sido criada por mim; isto porque não sou perfeito, e o imperfeito não pode criar o perfeito. Pela mesma razão, não a recebi do mundo exterior, uma vez que no mundo exterior nada parece haver mais perfeito do que eu mesmo. Logo, a idéia de perfeição só pode ter sido posta em mim por um ser absolutamente perfeito: Deus, para tudo dizer numa palavra” (Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Sá da Costa, 1982, p. 29). Lindo mas um pouco vaidoso, eu diria. Penso que no mundo nada há de mais perfeito que o Amor de Jesus. Seus ensinos buscam instruir-nos a uma perfeição singular e nos conduzir à vida eterna. Ele disse: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Logo, a perfeição de Deus deve ser perseguida enquanto vivemos. Ainda que não efetivamente cheguemos a esta plenitude, o caminho contínuo da busca nos faz pessoas melhores e nos tira do confortável conformismo. Taí uma lição pós-cartesiana que poderíamos chamar de: Discurso do Método Cristão Avançado.

Brincadeiras a parte*, hoje vivemos em nossos Condomínios – ‘guardados’ em nossos apartamentos – presos nas grades que nos separam do mundo afora. E muitas vezes esquecemos de olhar pro céu. Vítimas potenciais do estresse da solidão e da depressão. Nossa proteção imperfeita tem seus efeitos colaterais.

Concluo este artigo com um forte sentimento paradoxal de que, ao tempo que estou olhando pro céu neste momento, do céu alguém olha pra mim. Então sigo com ’olhos no céu e pés no chão’… Pois ao enxergar o perfeito, em nosso coração nos tornamos portadores da perfeição dEle.

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Foto: Filipe Fradex
Artigo: Maxwell Fonseca
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* (‘bricadeiras a parte’  é sem craze mesmo!)