
Foto: artesanato pernambucano atribuido a DéboraCoutinho – sujeito a correção! (artigo por MaxwellFonseca)
O ataque dos bonecos de barro – O dia que exército salustiano desceu da Sé, em defesa à cultura pernabucana, choveu notícia pra todo é lado! Jornalistas e curiosos querendo subir, enquanto banners de merchandising eram derrubados ladeira-a-baixo, em Olinda. Propagandas impiedosamente arrancadas pelos bonecos revoltos, ao tempo que representantes comerciais amargavam ligações dos seus chefes: “Aonde está nossa sinalização?”. De celulares corporativos ouvia-se em extremo grito: “Faça alguma coisa senão lhe demito!!!”… e assim começa esta história de amor e ódio das nossas raízes (versus a pos-modernidade corporativa).
Era uma terça-feira aparentemente comum. Se não fosse as mil ligações de meus colegas me falando desse caos em Olinda Alta. Pois bem, corri com meu bloquinho de papel, à moda antiga, e fui à Sé. Como bom menino olindense (que conheçe cada buraco nas ladeiras), subi por trás do largo do Amparo – arrodiei pelo Colégio das Damas – estacionei perto da Ladeira de Misericórdia e fui andando até o largo da Sé pra ver se encontrava alguém pra entrevistar… Encontrei um disposto a falar, e antes d’eu me identificar disse ele ”…e se fosse contigo, mô’vey?” me perguntou um boneco de barro de roupinha azul ciano e uma rabeca na mão, “tu ia comê uma sugesta dessa?” e completou: “Apois, pelo que sei, o homem tomein já foi boneco de barro! E tú devia-de-tá do nosso lado, Seu-cába!”, afirmou com a vêemencia de um socialista revolucionário. Eu, com minha imparcialidade jornalística, preferi desconversar e com mais perguntas descobri que além deles existem centenas de outros bonecos vindo do interior apoiar o movimento… fiquei pasmo!
Desde a hora que enviei o e-mail desta história pro escritório da redação em Recife, tremeram os enlatados e as gravadoras sulistas, outdoors e carros de som choravam, programas de auditório suspenderam sua programação brega, até o vento! (ficou meio que parado, como quando está pra vir aquela chuvarada de dias).
…continua








Comentários Recentes