Reino de Aninha

8 06 2008


Foto original por AmandaOliveira (estória – artigo Reino de Aninha por KarinaRocha)

Reino de Aninha – Aninha é princesa, seu reino se estende por todas as ruas e vielas do subúrbio onde mora. O dia é feito de poucas horas de escola e muitas de brincadeiras que ajudam a passar o dia que é tão cumprido até a chegada da mãe do serviço. Antes de deixar Aninha na escola e ir para o trabalho a mãe repete que Aninha não pode sair para longe, falar com quem não conhece, ou receber presente de estranhos. Pai ela sabe que tem, desconfia até quem é, já viu uma vez..assim de longe…e nunca mais.

A mãe trabalha em casa de família e sempre trás uma coisa boa pra ela quando chega em casa..as vezes um pão gostoso com guaraná, mas uma vez trouxe uma boneca que era da filha da patroa. A boneca recebeu o nome de Priscila e quase nunca sai do quarto (pra não sujar na rua), fica em cima da cama e todos os dias antes de dormir Aninha dedica-lhe alguns minutos de conversa e afagos.

Aninha gosta mesmo de correr, corre com os meninos atrás das pipas e também para achar um esconderijo ou fugir nas brincadeiras de “se esconder” e de “pega”. As vezes ela e as amigas arrumam resto de esmalte de unha e brincam de salão de beleza, pintam as unhas umas das outras e fazem trancinhas caprichadas que demoram semanas pra sair. Quer ser professora porque gosta muito da tia da escola. Queria mesmo era escrever um livro de estórias que ela inventa, como aquela sobre a menina que acordou “diminuída de tamanho” e a enchente levou embora.

Uma vez uma amiga da rua onde mora chamou-a para vender chiclete na porta do teatro. Voltou pra casa com um real, levou uma pisa de cinto e ficou uma semana de castigo sem sair na rua. Nunca mais vendeu chiclete. Domingo a mãe fica em casa o dia todo e elas vão juntas à feira e assistem televisão. A mãe diz que ela é sabida porque faz as tarefas da escola sem errar quase nada. Aninha gosta de ser sabida, gosta de correr, de brincar de salão de beleza, de conversar com Priscila e com a mãe antes de dormir.

Essa é só uma estória, Aninha poderia morar na avenida Boa Viagem, na Zona da Mata de Pernambuco ou num morro da cidade. Poderia ter pai e muitos irmãos. Independente do contexto familiar, do lugar de onde vem ou da situação social, criança é sempre criança e precisa ter a sua infância respeitada e protegida a todo custo. Caso contrário, os resultados são desastrosos para elas, suas famílias e para toda a sociedade.

Não deixe de fazer um bem a uma vítima desse crime, a qualquer sinal ou informação sobre abuso ligue para disque denúncia que atende pelo número “100”, pois é… um número tão simples assim, mas que pode fazer uma diferença enorme na HISTÓRIA de muita gente.


Foto: AmandaOliveira
Artigo: KarinaRocha

 

 


 

  •  NOTA – A estória de Aninha vinculada à foto acima é ficção. Qualquer coincidência de nomes e situações não é intencional. Os personagens e estória refletida nesta obra literária é apenas ilustrativa, e não está vinculada diretamente às pessoas nas fotos. Tendo por motivação alertar às pessoas sobre as questões sociais relacionadas à matéria em foco.

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Quando a maré encher…

19 05 2008


Foto original por ÍcaroNSilva (artigo por Maxwell Fonseca)

Quando a maré encher… – Quem mora na capital metropolitana já se acostumou com esta cena. Rios e canais, quando a mará dá cheia, e algumas chuvas ajudam a deixar as águas mais atraentes. Dezenas de meninos pulam das pontes e beiras direto ”na maré”. Vemos isto no Marco Zero. na Agamenon Magalhães, no Motocolombó… é uma festa (nem parece sadia, mas é uma festa)! Estes jovens, adolecentes e crianças, que mais parecem serem feitos de ferro. Haja anti-corpos pra aguentar tais águas!

Recentemente soube que até tanques de tratamento de esgoto quando as chuvas enchem, certos pivetes invadem pra fazer deles piscina. Dá pra imaginar a coragem? É chocante! Não sei dizer se isto é reflexo de muita coragem, ou se é algo que simplesmente dá prazer, correr risco. Talvez seja só ignorância, falta de conhecimento do que pode resultar a “brincadeira”. Enfim. o que realmente me impressiona é a do povo em encontrar formas de diversão numa metrópole como Recife. E é disso que vamos tratar neste artigo.

No Recife, cada um se vira como dá… Uns curtem futebol num campinho até o fim de tarde. Outros vão à praia “tirar onda” (nada de surf, só bagunças mesmo; expressão comum na cidade). Se agarram com suas bicicletas na trazeira de caminhões. Descem ladeiras com carrinhos de ‘roliman’. Empinam pipa e brigam de ‘cerol’. Jogam dominó na esquina. Até a proxima maré cheia. Nosso povo é criativo, simplista e de muita fibra. Se não fosse esta simplicidade, o Brasil viveria à beira de um colapso social. Aprendemos a encontrar prazer em coisas muito naturais. Sobretudo, na amizade uma das maiores pérolas da vida.

A foto reflete um pouco disto: Dois adolecentes do ancoradouro em Brasília Teimosa - próximo às esculturas de Brennand. De um cartão postal da cidade, estas meninos dão vida, cor e forma com a alegria de divertir-se junto ao amigo. É mesmo um povo lindo este que grita “…te vejo na próxima maré!”.

Ícone de exibição de ÍcaroNSilva 
Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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