Superando o contexto

8 07 2008


Foto: Rindo a Toa por ÍcaroNSilva (Artigo: Superando o contexto por MaxwellFonseca)

Superando o contextoOs contrastes da vida nos perseguem! Uns dias felizes, tantos outros triste. Estou bem, estou mal. Esta é gangorra da nossa existência. Comumente precisamos superar o contexto, escrever nossa história, construir nosso bem estar material ou emocional, para assim estar com tudo “em cima”. Infelizmente, é comum que o mal humor estejam de tal modo arraigado a nós, que demanda esforço extremo para um simples riso. Por isto, pensei em falar de superação, diante do sorriso largo registrado nesse jovem no lixão da Muribeca, felicidade que muitas vezes nos falta.

Sendo muito racional e crítico, tenho certa dificuldade de rir em meio a problemas. Apenas em poucas situações consigo sorrir, como se diz: “do nada”. Já algumas pessoas riem facilmente (até da própria desgraça) e conseguem até fazer piada de tudo. Sem dúvida alguma, esta disposição mental é bem mais saudável que minhas agruras de crítico, chato ou até pessimista (como tantas vezes sou)… Observando claramente, a imagem não nos remete a um humor negro (de alguém que ri do próprio sofrimento). Pelo contrário, revela como encontrar felicidade num contexto difícil. Este é um grande milagre. O milagre de viver o agora com graça e leveza. Eu imagino: Como eu estaria se meu trabalho fosse catar lixo e ganhar o pão de cada dia? Ou seja: Como eu estaria se estivesse no mesmo contexto que este rapaz? A verdade é que as angústias da vida, independente do contexto podem ser superadas. E esta foto é mais uma evidência disto.

Óbvio que não existem pílulas mágicas para ser feliz instantaneamente, mas neste artigo podemos pensar sobre felicidade e superação. Afinal, a felicidade, assim como o amor, consegue alcançar a qualquer um de nós, nos momentos mais diversos. Para provocar ainda mais esta reflexão, pare agora e reflita na curiosa relação das emoções com o tempo. Perceba isto: Constantemente queremos tanto “ser feliz”. Mas não experienciamos a felicidade no agora. Não é verdade? Projetamos este momento pleno para o futuro (ex: quando eu me formar vou ser muito feliz), ou para o passado (ex: ai como eu era feliz naquele tempo). Desafio você que lê este artigo a  fazer o inverso desta projeção. Faça como uma criança que sabe um mês antes que vai ganhar uma bicicleta no Natal. Você sabe como ela fica, radiante e elétrica, feliz por atrair o momento oportuno no agora. Por que perdemos a chance de viver a felicidade presente? É no tempo presente que tudo acontece, e não no futuro ou passado. Reflita sobre isto.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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Se virando do jeito que dá!

8 06 2008


Foto original Ganhando a Vida por ÍcaroNSilva (artigo: se virando do jeito que dá por MaxwellFonseca)

Se virando do jeito que dá – As vezes penso que aquele ditado tem sentido, “uma imagem fala mais que mil palavras”, outras vezes tenho plena certeza. E aqui vai mais uma prova disso. A criatividade do povo nordestino surpreende. A força de vontade impressiona. A dedicação comove e o contexto nos sufoca.

O que dizer de um universo onde quem não se vira morre de fome? Como ignorar que são batalhadores estes que chamamos de ‘miseráveis’. Na verdade, já conheci muitos universitários esbanjando ‘oportunidade na vida’, e depressivos. Jovens com rotinas vazias, vivendo de status, marcas da moda, boates de luxo, computadores portáteis mas convivendo com uma mente desfocada do propósito de sua existência. Fazem cursos porque alguém escolheu-lhes o futuro. Vestem-se pra agradar o clube. Compram carros para superar o do vizinho… Certos destes “afortunados” são mais miseráveis, feios, preconceituosos e arrogantes que qualquer sem-teto poderia ser. Grande paradoxo não? O que tem e o que não tem miséria, por dentro e por fora.

Se virando do jeito que dá é a forma que muita gente de fibra vive. Procurando apoio pra sair da lama. Superando limites de sua condição precária do contexto capitalista moderno. Fazendo milagre acontecer, pela fé e esperança de um futuro melhor. Como admiro este tipo de gente. São guerreiros que tentam sobreviver às limitações do sistema socio-econômico que escolhemos para reger nosso planeta (quase todo). Por isso que eu digo: “nem sempre o que dá certo tá certo, e vice-versa”. Enquanto agente esquece de outros aspectos comumente ignorados. Dar certo e estar certo não são sinônimos. Da mesma forma, muita coisa que não dá certo, estava em sua concepção corretíssimo. Mas a maioria ignorante decide ‘democraticamente’ o caminho que mais os apraz. Esquecendo dos que são esmagados por suas decisões. Vale dizer que não milito contra o sistema socio-economico. Só penso que poderiamos evoluir no cuidado de certos invisíveis que clamam por nosso socorro. Especialmente através da educação, e da profissionalização deles.

Nas palavras do amigo fotógrafo: “João é baterista, da Bahia. Nós o encontramos no Recife antigo fazendo seu som, com sua batera artesanal. Eu e Caio somos bateristas e podemos dizer que ele tem talento!”. Eu que bem sei como Ícaro é “chato” na sua crítica musical, tenho certeza que a afirmação procede… e eu torço: Sucesso João! Espero que você vá se virando nas viradas desta bateria virtual, até que chegue uma nova – de verdade. Fé em Deus e muita dignidade pra guardar-se íntegro diante das dificuldades que todos temos.
 

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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Lar doce lar

13 04 2008


Foto original e comentário inicial por CarlosCajueiro (Artigo por Maxwell Fonseca)

Lar doce lar – Comentário do fotógrafo: “Um dias desses estava querendo trocar minha TV da sala por uma LCD de 42 polegadas, mas depois que entrei nessa casa e vi 8 pessoas dividindo o pequeno espaço para assistir uma TV de 14′, eu pensei: “…meu Deus me perdoe! tá bom demais a minha.” Poxa! Sempre queremos mudar e ter algo novo – melhor. Mudar é bom. Coisa nova é show. Mas será que realmente vai nos trazer verdadeira felicidade?” – Carlos Cajueiro

Este é um excelente ponto de partida para uma reflexão sobre gratidão e satisfação. Nossa atitude é bastante estranha neste sentido. Muitas vezes ignoramos todas as dádivas e benefícios que temos. Olhando apenas para o que não temos e gostaríamos de ter. Curioso como o status sempre acompanha o salário… quando não botamos os pés pelas mãos (e damos passos maiores que nossas pernas) e nos endividamos. Tudo isso é sinal de nossa sede de consumo. Que tem seu lado bom e seu lado ruim, como no comentário de Cajueiro. O ‘querer ter’ nos motiva a trabalhar e alcançar nossos objetivos, bens e riqueza. Até aqui não há mal algum. O problema se configura quando queremos ter o que não temos condições de ter, ou o que pertence a outros, isto materializar-se em cobiça.

Basicamente a cobiça é um sentimento negativo. Remete-nos ao desejo veemente de possuir; a ambição de riquezas; avidez e ganância. Muitas vezes no contexto capitalista que vivemos este nome (cobiça) nem nos soa mal, mas é. Aprenda a desejar – da forma certa. Escolha bem o alvo de seus sonhos. Certifique-se de que o que você quer não pertence aos outros e seria desonesto ou desonroso tomá-lo (seja quais forem os meios)… Seja satisfeito com o que você É, e não pelo que você TEM.

Não abandone suas conquistas depois de algumas semanas (caso clássico de quem tem piscina em casa), continue dando valor ao que você tem. Use as coisas e ame as pessoas (centenas de pessoas parecem insistir em inverter isso – usam pessoas e amam coisas)… Ter dinheiro não é algo essencialmente ruim, é o amor ao dinheiro sim – é uma doença – que provoca todos os males. o amor foi feito para nos ligar a pessoas, e não para nos aprisionar a coisas. 

Não perca de vista o quanto você é felizardo, porque neste momento enquanto falamos pessoas passam necessidade extrema em lugares menos afortunados. Entenda seu papel no mundo. Aí sim você vai se sentir em casa. E poderá dizer “Lar doce lar” independente de quantos mil reais vale sua casa.

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Foto: Carlos Cajueiro
Artigo: Maxwell Fonseca
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Homem de ferro…

3 04 2008


Foto: Homem de Ferro por Carlos Cajueiro (artigo: “Na simplicidade do Olhar” for Bianca Barbosa)

Na simplicidade do olhar… – Esse humilde homem nessa foto não aparece em comerciais em estampa capas de revista, mas deveria servir de referencial de muitos.

Por sua expressão facial percebe-se que sua vida não é fácil, e que seu trabalho(com uma inchada que pesa seus 10 quilos) é de extremo desgaste para um senhor de 75 anos. Mas será que esse era o sonho da vida dele, acordar cedo todos os dias e se esforçar até não poder mais e voltar para casa com o corpo doendo e as mãos calejadas? Creio que não.

Muitas vezes temos planos e projetos e que por algum motivo se desmancham, assim como açúcar na chuva e é nesse momento que devemos nos posicionar e olhar para Deus, pois só Ele pode transformar desertos e tristezas em jardins secretos e brados de vitória, só Ele transforma nosso pranto em festa e renova as nossas forças para mais um dia.

É natural que no cotidianos sejamos “testados” mas não podemos olhar para as situações e deixar que elas sufoquem o melhor que Deus reservou para nossa vida, temos sim que nos colocar como verdadeiros guerreiros que se abatem por ventos revoltos e pelo temor do nosso barquinho virar em meio ao mar-da-vida. Temos como nosso guarda o MAIOR de todos, o único capaz de acalmar as tempestades. Pois se vivemos segundo os planos do Altíssimo, crescemos em sabedoria e graça: “…a vereda do justo é como a luz da aurora que vais brilhando mais e mais até ser dia perfeito” – Pv. 4:18

Não podemos limitar nosso olhar no agora, é preciso ter fé em Deus. Nessa foto vemos um homem de fibra, um anônimo lutador, que trabalha e luta para sobreviver com seu árduo suor… Que não se deixa abalar nem pelas dificuldades que lhe são impostas, nem pela limitação das oportunidades que teve na vida. Isso nos faz aprender que o crescimento humano não é medido pela estatura do corpo, mas pela capacidade de expansão de sua dignidade.

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Foto: Carlos Cajueiro
Artigo: Bianca Barbosa
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Saudações do dono da toca

2 04 2008


Saudações do dono da toca por Julio Cezar  (artigo: “Saia da toca!!!” por Maxwell Fonseca)

Saia da Toca! – Meigo carangueijinho… pequeno o bastante pra ser rotulado insignificante… ainda assim sai à porta e levanta a pata pra mostrar quem é o Dono da Toca. Isso não é incrível??? 

O pequeno se faz guerreiro. Suas patas lembram arma e escudo. Seu semblante de poucos amigos, nos dá a impressão de feroz. Olhos alerta e pronto pro combate. Postura de gladiador.

Pois é! Os moradores de Manguetown dão mais essa grande lição para nós! Projeta sua identidade, guarde seu espaço, não deixe nada de mal entrar por sua porta… Eis a lição de ter um posicionamento. Na infantaria (do exército) se fala em “guardar sua linha”. Ou seja, manter limites para que seus inimigos não invadam seu perímetro.

Sempre falo em meio a essa cidade cheia de contraste social: “Deus nos guarda, mas nem por isso que ficamos dando vacilo no meio da rua, né?“. Ter fé é uma coisa… tentar a sorte é outra. Ou seria melhor dizer: Tentar a Deus não é uma opção válida.

Manter uma posição é algo que demanda grande esforço, atenção e comprometimento. E mesmo quando situações adversas nos sobrevêm, precisamos nos mostrar fortes. Não podemos nos mostrar fracos (sobretudo no dia mal)… se nos mostramos fracos no dia mal, nossa força desce pelo ralo.

Muita gente que vive resmungando e reclamando, em vez de botar a mão no arado. Que é que é isso, gente? Basta olhar pra foto do ”dono da toca” pra se sentir fortalecido. Motive-se com o carangueijinho.

Deus te dê força nesse braço, e proteja sua toca!

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Artigo: Maxwell Fonseca
Foto: Júlio César