Maracatu Cultural

3 04 2008


Foto: Maracatu Rural por ÍcaroNSilva (artigo: “Não me compare: Sou Incomum” por Bianca Barbosa)

Não me compare: SOU INCOMUM – Atualmente percebemos várias tribos urbanas, com identidade própria, dentro do contexto social democrático, pequenos grupos em busca de firmar-se no universo social, busca do reconhecimento cultural.

O fato de muitas pessoas se unirem a grupos para lutar por sua própria identidade cultural parece paradoxal: Por um lado, há a genuína reivindicação seu reconhecimento do seu individualismo, Mas no modelo democrático só se sustentam demandas apresentadas em coletivo (ainda que minoritário, mas que seja representativo). Essa busca subjetiva e pessoal daqueles que se reconhecem neste ou naquele particularismo resulta no engajamento coletivo e em reivindicações identitárias… Mas, ao mesmo tempo este mesmo enfoque politico impõe a necessidade de representação coletiva, estereótipos do eu-coletivo inferem na singularidade de cada individuo. Estereótipos nos rotulam por seguimentos, padronizam, planificam. Como nas lanchonetes que se pede pelo número – “Promoção número 1 com coca-cola”…

Enfim, a palavra “multiculturalismo” não se refere só ao fato de que as sociedades são compostas de grupos culturalmente distintos, mas também fala a respeito da política vigente que tem como objetivo fazer com que esses grupos coexistam pacificamente entre etinias e culturas diferentes.

A mistura das culturas mostra que é impossível considerar a cultura como algo invariável – estático. Rotulá-la com selo de autenticidade perene é imusão. Até pelo fato de que cada um de nós tem seu caráter constituído de experiências, sensações e emoções particulares e únicas. Logo a cultura (apesar de todo tradicionalismo) tende a mudar. Evoluir.

Na verdade esse movimento de multiculturalismo se torna mais forte, porque ninguém é igual a ninguém, foi assim que Deus nos fez, diferentes uns dos outros e ÚNICOS, porém, à sua imagem e semelhança… Pensando nisso as pessoas deveriam resistir à homogeneidade cultural, principalmente quando esta uniformidade nos impõe estilos consumista. Como no caso do imperialismo cultural, que reduz outras culturas a particularismos à dependência de uma única fonte (exemplo: Brasil e EUA).

Não devemos, contudo, olhar o multiculturalismo como algo negativo, por que é ele que traz o respeito às diferenças, e também obriga a sociedade a redefinir o conceito de comunidade… principalmente a alargando-o na tentativa de incluir um conjunto de diferenças comportamentais. Ou seja, não importa a “tribo” que pertençamos, seja das patricinhas, os emos, os puks, os nerds, pagodeiros, intelectuais, enfim… Deus nos fez únicos e Ele nos ama e nos quer receber de braços abertos. Ele te reconhece de qualquer lugar da cidade e mesmo que você esteja em meio a mil pessoas, fala: “Olhem, vocês estão vendo este? Foi criado para ser digno – e amar”.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo: Bianca Barbosa
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