Quando a maré encher…

19 05 2008


Foto original por ÍcaroNSilva (artigo por Maxwell Fonseca)

Quando a maré encher… – Quem mora na capital metropolitana já se acostumou com esta cena. Rios e canais, quando a mará dá cheia, e algumas chuvas ajudam a deixar as águas mais atraentes. Dezenas de meninos pulam das pontes e beiras direto ”na maré”. Vemos isto no Marco Zero. na Agamenon Magalhães, no Motocolombó… é uma festa (nem parece sadia, mas é uma festa)! Estes jovens, adolecentes e crianças, que mais parecem serem feitos de ferro. Haja anti-corpos pra aguentar tais águas!

Recentemente soube que até tanques de tratamento de esgoto quando as chuvas enchem, certos pivetes invadem pra fazer deles piscina. Dá pra imaginar a coragem? É chocante! Não sei dizer se isto é reflexo de muita coragem, ou se é algo que simplesmente dá prazer, correr risco. Talvez seja só ignorância, falta de conhecimento do que pode resultar a “brincadeira”. Enfim. o que realmente me impressiona é a do povo em encontrar formas de diversão numa metrópole como Recife. E é disso que vamos tratar neste artigo.

No Recife, cada um se vira como dá… Uns curtem futebol num campinho até o fim de tarde. Outros vão à praia “tirar onda” (nada de surf, só bagunças mesmo; expressão comum na cidade). Se agarram com suas bicicletas na trazeira de caminhões. Descem ladeiras com carrinhos de ‘roliman’. Empinam pipa e brigam de ‘cerol’. Jogam dominó na esquina. Até a proxima maré cheia. Nosso povo é criativo, simplista e de muita fibra. Se não fosse esta simplicidade, o Brasil viveria à beira de um colapso social. Aprendemos a encontrar prazer em coisas muito naturais. Sobretudo, na amizade uma das maiores pérolas da vida.

A foto reflete um pouco disto: Dois adolecentes do ancoradouro em Brasília Teimosa - próximo às esculturas de Brennand. De um cartão postal da cidade, estas meninos dão vida, cor e forma com a alegria de divertir-se junto ao amigo. É mesmo um povo lindo este que grita “…te vejo na próxima maré!”.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca
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Enquanto o Recife corre…

7 04 2008


Foto: Nas Ruas do Recife por ÍcaroNSilva (artigo por MaxwellFonseca)

Enquanto o Recife corre… – Protegendo-se do Sol do meio dia, Dona Neide vê passar o dia na esperança de encontrar transeuntes de bom coração, que ajudem e garantam o pão de sua casa. Como se sabe, o clima tropical de dias quentes de Recife não dá sopa. Na Ponte Duarte Coelho o calor é intenso, só a brisa do mar e a sombra abrandam o pesar. Para Neide essa ponte é ’seu ponto’. E também será ponto de partida desta estória metropolitana.

O cotidiano do Recife anda a sempre a cem por hora! Carros, pedestres, motos e bicicletas passando, e as calçadas como trilhas de formigas, e seus incontáveis seres freneticamente levados de lá pra cá. Gente estressada que mal vêem Dona Neide e sua sacola. O dia segue entre buzinas estridentes ao sinal verde, som de motores acelerando, ambulantes e seus tabuleiros móveis (evitando os fiscais da prefeitura), policiais e seus óculos escuros indo de uma esquina a outra, carros de som anunciando promoções… etc e etc. A cidade na velocidade da luz, e Neide na velocidade da sombra. Repousando com seu sotaque arrestado e de voz meio rouca: “Moço mi’ajude a interá o pão”…

Curioso, muita gente fala DE pessoas carentes. mas poucos efetivamente param pra falar COM eles. Suas histórias de vida são impressionantes. Essa é só mais uma entre tantas, mas apenas esta venceu o anonimato… “Eu vim de Condado”, diz Dona Neide - a ignorância da geografia interiorana ecoa: “Onde é isso?”, ela responde sem titubear – “Fica entre Itatinga, Nazaré da Mata e Aliança, mô’fio” e já emenda com a história do falecido marido dela. Ela conta que Biu veio pra Recife trabalhar na casa do filho do ex-prefeito, mas em ‘oitenta e dois’, depois da cheia, morreu de tuberculose e a deixou pra cuidar dos dois filhos. Hoje sozinha pensa em voltar pro interior, embalada entre incertezas, fala da falta de notícia da família e até dos crescidos filhos que foram-se pra São Paulo. Sem nada mais que lhe reste, senão sua sacola e poucas gramas de esperança, vive contando as moedas da boa-vontade os que passam… na correria do cotidiano.

Esse é apenas um conto metropolitano, mas a vida reserva centenas de personagens de carne e osso. Apesar desta estória aqui ser apenas ilustrativa. O cenário real merece uma reflexão intensa. Passamos insensíveis por dezenas de típicas Donas Neides na Veneza brasileira. Ouse conhecer tais histórias.

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo:Maxwell Fonseca

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NOTA: Esta estória vinculada às foto acima é ficção. Qualquer coincidência de nomes e situações é mera coincidência. Os personagens da estórias são apenas ilustrativos.





Porção marginalizada da população

29 03 2008


Foto: Porção marginalizada da população por IcaroNSIlva – (artigo por Maxwell Fonseca) 

Contraste Social Metropolitano! – Muitas vezes nem olhamos. Comumente nem percebemos… A imagem “Porção marginalizada da população” nos força a olhar ao lado “sofrido” do nosso povo. Sem estrutura ou capital. Sem teto nem familia. Sem saúde e sem esperança. Sujeito as forças da politica publica e campanhas sociais.

Na foto, um zé-ninguem carrega seu tudo-nada nas costas, indo sabe-se lá pra onde… Infelizmente, esta é uma cena comum nas metropoles brasileiras. Incrivelmente, poucas pessoas rendem um ‘click’ pra registrar isto.

Na verdade existe ‘alguém’ alí. Com nome, com pensamentos, sentimentos, demandas e sobretudo VIDA. Esta dádiva divinal que nos assemelha. Estamos lendo estas palavras porque estamos VIVOS. Eu e você, e tantos outros… Marginalizar o outro por ele não possuir capital é possivelmente o caminho mais próximo para um colapso social. A implosão do sistema capitalista. A revolta do excedente humano.

O exponencial crescimento dos miseráveis da metropole tem seus motivos históricos na nação estrutruração social. Herdamos origens uma base social em trabalho escravo. A base da piramide… os escravos da história extrativista do brasil colônia, mudam de forma e nome para mendigos, miseráveis, favelados…

 Este dilema, ou distinção social abissal, seria reduzido significativamente se o Governo obrigasse os veículos de comunicação em massa desse país dedicar horário nobre à formação tecnica de profissionais de base.

Marcineiros, pintores, pedreiros, cabelereiras, artesãos, comerciantes e etc… O brasil não seria o mesmo se em vez de novalas globais o povo tivesse acesso à formação profissional e inclusão social. Vale a pena pensar nisso!

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Foto: ÍcaroNSilva
Artigo: Maxwell Fonseca
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