
Foto e Texto por MaxwellFonseca (citação essencial de Fernando Pessoa – Livro do Desassossego)
Ídolos Humanos – Nesta estranha sociedade, de constante resgate de elementos primitivos e mitológicos, nossas raízes greco-romanas ainda permeiam a cultura e comportamento, com instintos primitivos, heróis tópicos e idéias religiosas desnorteadas. Será que pós-modernindade e a globalização reverberam os ecos dos filósofos e grandes impérios antigos? Talvez? Ouso dizer que sim!
Nesta escultura, carinhosamente denominada Eliza, resgato a oportunidade da reflexão sobre a visão humanista, mística, egocentrada e democrática da atualidade. E entre cultos, crença, programas de tv, estátuas no jardim e a plena razão - questiono o que sejam ídolos, para nós, hoje? E antes de prosseguir, proponho as palavras de Fernando Pessoa (que possivelmente dispensará meros devaneios):
“Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus precursores a haviam tido – sem saber porquê.
E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para substituto de Deus.
Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais. (…).
Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.”
À primeira vista, as palavras de Pessoa ressoam como filosofia existencialista dos ensaios de Platão e Descartes, mas a acentuação (ácida e religiosa) surpreende pelo questionamento essencial sobre o sentido da vida e o centro da adoração humana, evidenciando sobretudo a indignação do escritor quanto aos desacertos do comportamento e devoção das massas.
Agora deixo para você leitor a reflexão inicial – e diante dos tantos ídolos (humanos) massificados, sejam políticos, artístas, alegorias, projeções ou sugestões… – permita-se repensar quem são seus ídolos! E pensando, seja crítico. Este exercício pode resultar em amadurecimento e emancipação. Pois diante do contraste cartesiano da existência do Bem maior, grande parte de nossas ideologias não passam de ilusão ídólatra e futilidades.

Foto & Artigo:
MaxwellFonseca




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